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terça-feira, 15 de novembro de 2011

HISTÓRIA DO CEARÁ


domingo, 16 de outubro de 2011

Falta de mão de obra ameaça crescimento; em 2010, 24% das vagas no CE ficaram ociosas

Ceará preencheu 76% das vagas ofertadas no Sine. É o terceiro maior índice do País, atrás do MA (91%) e AL (81%)
Com o desemprego em queda e a falta de qualificação no mercado de trabalho, preencher vagas não tem sido fácil para as empresas. De acordo com dados do Sine/IDT Ceará (Sistema Nacional de Emprego/Instituto de Desenvolvimento do Trabalho), na média do ano passado, das oportunidades postas à disposição, 24% acabaram não sendo aproveitadas e 76% foram encaminhadas com sucesso, tendência que permanece.

O percentual não utilizado, mesmo elevado, é o terceiro melhor do País, abaixo apenas dos números do Maranhão (9%) e Alagoas (19%). Segundo o Sine/IDT, foram 120.422 postos ofertados, dos quais 91.593 foram ocupados, totalizando 28.829 vagas que ficaram ociosas.

De acordo com o coordenador de Intermediação de Profissionais do Sine/IDT, Antenor Tenório, em comparação com a média nacional, que é de 34% de aproveitamento, o Ceará se coloca em posição de destaque no grau de eficiência dos encaminhamentos.

Alternativas
Ele lembra que essas quase 29 mil vagas não ficaram necessariamente inativas. "Quando as empresas tentam com a gente e não conseguem preencher, eles costumam partir para outras alternativas, como publicações em jornais, indicações de pessoas que já trabalham no local e até mesmo contratação de empresas de consultoria para selecionar esses trabalhadores", enumera. Em último caso, quando todas as opções se esgotam, os contratantes acabam tendo de formar o profissional, por meio de algum programa de qualificação, completa Tenório.

Qualificação é baixa
Segundo ele, quando as vagas exigem um currículo com grande nível de complexidade e conhecimentos muito específicos, costuma haver demora para achar candidatos à altura. "A qualificação é muito baixa. Lidamos bastante com falta de experiência", lamenta Tenório.

Banco de dados
Algumas empresas, diz ele, usam o Sine apenas para fazer banco de dados, prática que acaba ludibriando os interessados. "Elas anunciam vagas, mas, às vezes, acaba acontecendo que o preenchimento não é para aquele momento, e sim para o futuro. Nós tentamos evitar isso, mas acaba ocorrendo", diz.

Oficinas
No intuito de otimizar o processo, diz Tenório, o IDT tem realizado oficinas para preparar o trabalhador que pleiteia o posto na seleção, com dicas para orientar os interessados no momento da entrevista. Outro serviço é o Núcleo de Psicologia, oferecido às empresas para processos seletivos. "Esse núcleo é um diferencial. Muitas vezes a empresa não é daqui e, quando chega para contratar, não tem estrutura. Ajudamos nessa questão, fornecendo psicólogos", diz. "Outro ponto é a imprensa. Sempre divulgamos vagas em rádio, televisão e jornais", completa. 

VICTOR XIMENESREPÓRTER

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ceará na Era Vargas e ceará Na República Populista


  • Ceará na Era Vargas: com a era Vargas (1930-1945) extin­guiram-se o cangaço e os movimentos messiânicos nordestinos. Para isso, contribuiu o aumento da repressão, a migração de nordestinos para as indústrias do centro­-sul e a maior integração dos sertões nordesti­nos com o resto do país. Os Estados passaram a ser governados por interventores. O primeiro interventor cearense foi Fernandes Távora (1931, logo demitido por continuar com as mesmas práticas da República velha). O segundo interventor cearense foi Roberto Carneiro de Mendonça (1931-1934, um "neutro" e "estrangeiro", que procurou conciliar os "revolucionários" de 1930 com as antigas oligarquias). No Período da interventoria Carneiro de Mendonça, reorganizaram os partidos locais. Os "revolucionários" de 1930 fundaram o partido social democrático (PSD), enquanto as tradicionais oligarquias se reuniam na Liga Eleitoral Católica (LEC, ligada a Igreja e até aos notórios fascistas, conseguiu enorme penetração no Ceará) O terceiro interventor foi Felipe Moreira Lima (1934-1935, que realizou uma gestão agitada. Aliado ao PSD, não conseguiu evitar que a LEC vencesse as eleições legislativas de 1934 e indicasse, indiretamente, em 1935, o novo governador do Estado), Menezes Pimentel - as antigas oligarquias voltavam ao poder. Menezes Pimentel administrou o Ceará por 10 anos (entre 1935 e 1937, como governador legal, e entre 1937 e 1945, como in inventor o Esta o Novo. Foi um período muitas violências.


  • A Legião Cearense do Trabalho (LCT) foi uma organização operária conservadora, paternalista, autoritária, corporativista, anti-comunista e antiliberal (essencialmente fascista), existente no Ceará entre 1931 e 1937, fundada por Severino Sombra. O seu sucesso é devido ao baixo grau de organização e de consciência do trabalhador, a neutralidade do interventor cearense Carneiro de Mendonça e o apoio da Igreja. O Pensamento da LCT e de Sombra estava no livro O Ideal Legionário. Visava criar um Estado centralizado, interven­cionista, harmonioso e corporativista, "protegendo” os trabalhadores. Também se destacaram na entidade os nomes do padre Hélder Câmara, Jeová Mota e Ubirajara Índio do Ceará. Sombra pensava em estender a Legião para todo o Brasil. Mas por apoiar "­Revolução Constitucionalista de 1932, foi preso e exilado para Portugal. Depois a LCT acabou se filiando à AIB de Plínio Salgado. Em 1933, Sombra retomou do exílio e, não conseguindo obter a chefia da AIB abandonou a LCT e fundou no Ceará uma entidade semelhante, a Campanha. Legionária. Contudo, não obteve sucesso devido ao apoio agora prestado pela Igreja aos integralistas, o surgimento de entidades operárias de esquerda, as disputas com a própria LCT e a Lei de Sindicalização de Vargas. A LCT, a Campanha Legionária e a AIB foram fechadas com a implantação do Estado Novo.


  • Caldeirão foi uma comunidade messiânica, coletiva e igua­litária, surgida no Cariri cearense sob a liderança do beato José Lourenço e destruída em 1937 pelo governo Menezes Pimentel com o apoio da Igreja e dos latifundiários. José Lourenço, paraibano, negro, analfabeto, chegou a Juazeiro do Norte em 1890, sendo aconselhado pelo padre Cícero a estabelecer-se na região e a trabalhar com algumas famílias de romeiros. Assim arrendou um lote de terra no sítio Baixa Danta.
    Nos anos de 1920 envolveu-se na questão do "boi santo" e foi obrigado a deixar o sítio Baixa Danta. Provavelmente no ano de 1926, padre Cícero acomodou Lou­renço e seguidores no sítio Caldeirão de sua pro­priedade. No Caldeirão criou-se uma comunidade semelhante à de Canudos, baseada na religião. Com a "Revolução" de 1930, militares inspecio­naram o sítio em busca de armas. Em 1932, a fazenda abrigou retirantes da seca. Nesse ano chegou à comunidade o rio grandense Severino Tavares. O progresso do Caldeirão assustou a elite. Como o sítio, após a morte do padre Cícero, ficou em herança para os padres salesianos, as classes dominantes passaram a difamar a comunidade de Lourenço. Em setembro de 1936 os moradores foram expulsos dali pela polícia. Lourenço e sua gente instalaram-se depois na serra do Araripe e reorganizaram a comunidade. Partes dos sertanejos, liderados por Severino Tavares, queriam vingança e fazendo uma emboscada, mataram alguns policiais. Enviou-se, então, grande contingente poli­cial para a serra do Arari­pe, massacrando os campone­ses em novembro de 1937; mais de mil pereceram. Severino Tavares escapou, sendo morto na Bahia em 1938. "Zé Lourenço" faleceria em 1946,no estado de Pernambuco

  • Entre 1945 e 1947, foi o Ceará admi­nistrado por interventores, A campanha sucessória de 1947 foi tumul­tuada, com choques entre os comunistas (agora proprietários do jornal O Democrata) e a Igreja sob o comando de dom Antônio de Almeida Lustosa. Assim, enquanto o candidato do PSD, Onofre Muniz combatia os comunistas, o candi­dato da UDN vencia. Faustino Albuquerque governou de 1947 a 1951. Seu quadriênio foi marcado por persegui­ções aos adversários e crises, como quando do rompimento com o PSP de Olavo Oliveira, da eleição de Menezes Pimentel para a vice-governa­doria, das acusações de corrupção na secretaria da educação e do caso da "chiquita bacana". Para as eleições de 1950, articulou-se um consenso entre as oligarquias com o Movimento de União pelo Ceará (MUC= UDN +PSD), sem sucesso. Raul Barbosa governou entre 1951 e 1954. Realizou uma tímida administração. Em 1954 o udenista Paulo Sarasate foi eleito governador do Estado. Entre 1955 e 1958 governou Paulo Sarasate, com grandes atritos entre a situação e os oposicio­nistas. Parsifal Barroso (1959-63) rompendo com o PTB de Carlos Jereissati, criou a secretaria de agricultura, Indústria e Comércio, fundou o Partido Traba­lhista Nacional (PTN) e apoiou a União Pelo Ceará, coligação envolvendo UDN e PSD em torno da candidatura governamental de Virgílio Távora. Este foi o vitorioso nas eleições de 1962-64, pela primeira e única vez na república populista um governador cearense elegia seu sucessor.

Ceará na república-velha

  • A oligarquia de Accioly: dominou monoliticamente o Ceará entre 1896 e 1912. Para tal, foi básico: a adesão à política dos governadores, o apoio dos coronéis, a aliança com grupos econômicos, o nepotismo e a repressão aos oposicionistas. No primeiro mandato de .Accioly (1896-1900), desta­caram-se a corrupção em larga escala e o "caso da vacina" envolvendo Ro­dolfo Teófilo. O governo de Pedra Borges (1900-1904) foi uma continuidade da oligarquia Acciolina. Nessa etapa se destacaram a construção de academia livre de direito do Ceará, a greve dos catraeiros de Fortaleza e a impunidade dos crimes sertanejos. Accioly foi reeleito para dois mandatos em 1904 e 1908 respectivamente. Isso intensificou as ações das oposições, formadas por oligarquias dissidentes, por burgueses, pela classe média, por populares e até por coronéis, Nas eleições estaduais de 1912, as oposições lançaram, dentro da política das salvações, a candidatura de Franco Rabelo para o governo, enquanto Accioly.apon­tava como seu candidato Domingos Carneiro Vas­concelos. A campanha sucessória de 1912 foi bastante agitada tendo como auge a repres­são acciolina à passea­ta das crianças. Em conseqüência, as oposições, armadas, depuseram Accioly do poder. A revolta popular de 1912 e a eleição de Franco Rabelo para o governo encerram a oligarquia acciolina. Rabelo, todavia, seria deposto em 1914 na Sedição de Juazeiro (golpe arquitetado por Padre Cícero e Floro Bartolomeu par derrubar Franco Rabelo).
  • Padre Cícero: Prati­cante do catolicismo popular nordestino entrou em atrito com a política de romanização promovida pela alta cúpula eclesiástica. Chegou a Juazeiro no ano de 1872 Em 1889, Cícero tornou-se celebridade com a ocorrência do "milagre" de Juazeiro. A Igreja nega a veracidade deste. A questão religiosa do Juazeiro foi na verdade o retrato da luta entre a romanização e o catolicismo popular. Cícero acabou afastado da Igreja. Ao contrário de Antônio Conselheiro de Canudos, padre Cícero aliou-se aos políticos do Cariri e até à oligarquia Acciolina tornando-se um poderoso coronel de batinas e fazendo prosperar ] Juazeiro. Muito contribuiu para a atuação política de padre Cícero o médico Floro Bartolomeu da Costa, um dos principais articuladores do pacto dos coronéis e da Sedição de Juazeiro. A morte de Floro Bartolomeu e a "Revolução" de 30 marcaram a decadência de Cícero. Nos últimos anos de vida, remou, inutilmente, recuperar os plenos poderes do sacerdócio. Faleceu em 1934.
  • Ceará de 1914 a 1930: não houve domínio de nenhum grupo oligárquico. Os governadores eram indicados pelo presidente da República. Os principais partidos em os Republicano Democrata (ou Rabelistas ) e Republicano Conservador (das tradicionais oligarquias agrerias). Os governadores foram: interventoria de Setembrino de Carvalho(1914), Benjamin Liberato Barroso (1914-16), Engenheiro João Tomé (1916-20), Justiniano de Serpa (1920-13; enfermo renunciou), Ildefonso Albano (1923-24), Desembargador Moreira (1924-28; enfermo renunciou), Eduardo Girão (1928) e Carlos de Matos Peixoto (1928-30)
  • Movimento operário cearense na República Velha – fatores que dificultaram a organização do movimento operário: inexperiência do operariado local, bem como seu pequeno numero, o grande exercito de reserva, o fato de muitos trabalharem por conta própria, a repressão das elites e as lideranças conservadoras da maçonaria e da Igreja (Círculos Operários Católicos, baseados na Encíclica Rerum Novarum). A difusão ideologias de esquerda a partir do BOC (Bloco Operário Camponês, para driblar a lei celerada de que colocava o PCB na ilegalidade (principalmente a partir de 1927) leva a maçonaria e a Igreja a se unirem e criarem a Federação Operária Cearense em 1925 (embrião da Futura LCT).

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ceará do processo de independência ao período regencial

  • Processo de independência: o poder local foi entregue a uma junta governativa chefiada por Porbém Barbosa (ligado a Portugal e contra as pretensões emancipacionistas brasileiras). Com a convocação a constituinte brasileira, essa primeira junta governativa demorou para escolher os representantes cearenses → eclodiu no Crato um movimento para depor o governo de Porbém Barbosa → Os rebeldes derrotaram-no e elegeram uma outra junta governativa, favorável a independência, sob as ordens de Pereira Filgueiras → Formaram-se, pois, dois governos na província; mas Porbém Barbosa acabou renunciando, passando o poder para Filgueiras em Janeiro de 1823 → Pouco tempo depois, elegeu-se uma terceira junta governativa, entregue ao Padre Francisco Pinheiro Landim (Foi na administração deste que se elevou a capital cearense à condição de cidade em 11-03-1823, com nome de Fortaleza de Nova Bragança)
  • A Rebelião de Fidié: Após o “7 de setembro de 1822”, algumas províncias, domi­nadas por portugueses, recusaram-se aceitar a independência do Brasil. No Piauí, isso ficou a cargo do major João José da Cunha Fidié.Perante a ameaça de Fidié, também de invadir o Ceará, o governo local resolveu enviar tropas comandadas por Pereira Filgueiras e Tristão Gonçalves. Sucederam-se, então, confrontos entre os cearenses e os portugueses, até a derrota destes últimos em Caxias do Maranhão em agosto de 1823.
  • Confederação do Equador de 1824: o Ceará aderiu devido a influencia de Pernambuco e aos interesses dos liberais locais (contra a centralização do poder). Em 1824 os liberais (liderados por Pereira Filgueiras e Tristão Gonçalves) depuseram o governador absolutista Costa Barros → nomearam Tristão Gonçalves presidente da provincia e a anexação do Ceará a Confederação → o Ceará foi a última província a se render. A comissão militar ou “comissão de sangue” condenou grande parte dos revoltosos a morte (com exceção de Jose Martiniano de Alencar)
  • Sedição de Pinto Madeira: Os liberais cearenses receberam com alegria a abdicação de D. Pedro I e passaram a perseguir os partidários deste. O mais visado foi o coronel de milícias Pinto Meira, de Jardim. .A Sedição de Pinto Madeira foi uma guerra ocorrida nos anos de 1831 e 1832, na qual cofrontaram-se coronéis do Crato, de tendência liberal, e de Jardim, absolutista, buscando o domínio político do Cariri e o retorno ao trono de D. Pedro I. Em outubro de 1832, Pinto Madeira rendeu-se. Após vários adiamentos, foi julgado e culpado, sendo condenado a pena de morte.
  • Período Regencial – partidos: liberal era liderado pelo Senador Alencar, reunindo os maiores latifundiários da província. O partido conservador reunia os comerciantes, militares e alguns fazendeiros. Os liberais comandaram a província até 1837. o maio destaque foi entre 1834 e 1837 governou José Martiniano de Alencar, o senador Alencar, figura polêmica conhecida como autoritário e bom administrador. (Entre suas realizações, construiu estradas, financiou a agricultura e instalou o Banco Provincial do Ceará. Contudo, promoveu intensa perseguição aos adversários políticos.) De 1937 a 1940 os conservadores coman­daram o Ceará. Com o golpe da maioridade, os liberais retomaram o controle do Ceará.

CEARÁ COLÔNIA – INÍCIO DA OCUPAÇÃO

  • Introdução: · Até o século XVII estávamos abandonados: correntes marítimas e aéreas, os índios bravios e presença de estrangeiros, clima árido, não apresentava atrativos econômicos (metais preciosos ou especiarias). · Objetivos do inicio da ocupação: proteger a região das invasões estrangeiras (franceses) e servir de ponto de apoio para a ocupação da região Norte.
  • As Tentativas oficiais. · 1ª Tentativa oficial, 1603, Pero Coelho de Sousa: teve o direito de explorar a região. Fundou os fortes: São Tiago (Rio Ceara, foi destruído pelos índios) → São Lourenço (Rio Jaguaribe, não resistiu as secas de 1605 a 1607 e aos ataques indígenas). · 2ª Tentativa oficial, 1607/08, Francisco Pinto e Luis Figueiras: jesuítas que vi9ham catequizar os índios. Foram atacados pela tribo dos tacarijus, só Luis Figueiras conseguiu fugir. · 3ª Tentativa oficial, Martim Soares Moreno, 1611 a 1631: considerado pela historiografia tradicional como o grande fundador do Ceará. Fundou Forte São Sebastião, era hábil com o índio, procurou desenvolver a pecuária e a cana-de-açúcar.
  • A presença holandesa no Ceará. · Objetivo servir de apoio a dominação de Pernambuco. · Conquistaram o Forte São Sebastião em 1937 → o forte foi destruído e os holandeses expulsos do Ceará pelos índios → em 1649, liderado por Matias Beck, retornam e fundam o Forte Shoonenborch → que em 1654 é tomado pelos portugueses → passa a se chamar: Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. ATENÇAO: DE 1621 A 1656 O CEARÁ ERA SUBORDINADO AO MARANHÃO → PASSANDO DAÍ AO DOMINIO PERNAMBUCANO ATÉ 1799. ECONOMIA CEARENSE NA COLÔNIA
  • A Pecuária: · Ganhou força e ocupou os sertões cearense a partir do ultimo quartel do século XVII. Contribuíram para o povoamento dos sertões: a crise econômica lusa, o aumento do número de reses no litoral e a própria Carta régia de 1701. A ocupação dos sertões ocorreu com 2 correntes de povoamento: Sertão de fora, dominada por pernambucanos, vindos pelo litoral, e Sertão de Dentro, dominada por Baianos. Na ocupação verificou-se o extermínio de índio, embora este reagisse. · Para expansão pecuarista, contribuíram fatores como as vastas extensões, as abundantes pastagens, o caráter salino do solo, a própria facilidade na aquisição das sesmarias, a exigência de pouco capital para o estabelecimento das fazendas, além do fato de que, o gado, na hora da comercialização, dispensava as despesas com transporte, pois consistia num produto que se autotransportava - daí a afirmação segundo a qual o boi era mercadoria, transporte e frete. · O símbolo maior da pecuária foi o vaqueiro; pouco se utilizou o negro no criatório que, ao mesmo tempo, facilitava o uso do índio "manso". A fazenda era a unidade econômico-social dos sertões, dominados pelos coronéis. · A vultosa quantidade pecuarista opunha-se a diminuta população da capitania; a solução para tal, de início, foi a venda do gado, vivo, nas feiras de Pernambuco, Bahia e Minas Gerais. Nesses caminhos, o gado chegava abatido e sem valor, o que motivou o início da comercialização do gado abatido.
  • As Charqueadas ( metade do século XVIII) · Para o desenvolvimento do charque contri­buíram os ventos constantes, a baixa umidade relativa do ar, a existência do sal, o grande rebanho da capitania e a necessidade de poucos recursos para instalação das oficinas de charque. · As charqueadas possibilitaram uma divisão do trabalho e uma interpenetração comercial entre o sertão e o litoral; o surgimento de um mercado interno; o desenvolvimento de núcleos urbanos e uma diversificação da produção local, com o couro, sobretudo. · O couro por ser bastante usado pelos campo­neses, fez surgir uma "civilização do couro". · Do principal produtor de charque, Aracati, as oficinas propagaram-se para Acaraú, Sobral, Camocim e Granja. Dali a carne era levada para Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, onde serviria de alimento para pobres e escravos. · No final do século XVIII, devido às secas (1777-78 e 1790 a 1793), à concorrência gaúcha e ao desenvolvimento da cotonicultura, o charque entrou em decadência.
  • O Algodão · O algodão, já conhecido dos índios, de início possuía pequeno cultivo, mas, com a demanda externa (provocada pela revolução industrial e pela guerra de independência dos EUA – 1774-83) houve uma grande expansão. · A cotonicultura foi praticada não só em latifúndios, mas também em médias e pequenas propriedades, possibilitando o binômio gado­-algodão. Pouco empregou a mão-de-obra negra. · Fortaleza tornou-se o maior centro coletor da produção algodoeira interiorana, fato que contribuiu para consolidá-Ia como principal núcleo urbano do Ceará na segunda metade do século XIX. · O auge do algodão cearense aconteceu durante a guerra da secessão norte-americana (1861-64). Também desenvolveram-se no Ceará colonial as lavouras de subsistência, a exploração Ceará subordinado a Pernambuco (1656 – 1799) · o objetivo da metrópole era dinamizar a cobrança de impostos e submeter os senhores de terras ao mando da coroa. · Esse período era prejudicial a economia cearense, pois as mercadoria tinham que passar por Recife antes de ir para Lisboa. · Os governadores cearenses mais destacados após esse período até A INDEPENDENCIA foram: Barba Alado (1808-12, que governo o Ceará no momento da Abertura dos Portos) e Governador Sampaio (1812-20, que enfrentou a Insurreição Pernambucana de 1817 no Ceará, e trouxe Silva Paulet que elaborou a primeira planta urbanística de Fortaleza, criou os correios)

Ceará do segundo reinado à proclamação da república

  • Política do Ceará no Segundo Reinado: ao longo do segundo reinado, permaneceu o Ceará dominado pelas oligarquias rurais, organizadas nos partidos liberal e conservador. O partido liberal foi chefiado pelo Senador Alencar até 1860, e deste ano a 1877 pelo Senador Pompeu. Depois, dividiu-se em duas alas, liberais pompeus (Sob o comando de Nogueira Accioly) e liberais paulas (liderados por Vicente de Paula Rodrigues e, em seguida, por Antônio Rodrigues Júnior). Os conservadores eram a princípio liderados pela facção "boticário-carcará" (de Antônio Rodrigues Júnior e Miguel Fernandes Vieira), mais em 1862 dividiram-se em duas alas: conservadores graúdos (sob o comando de Domingo Nogueira Jaguaribe e Joaquim da Cunha Freire) e conservadores miúdos (liderados por Gonçalo Batista Vieira). Praticamente não houve conciliação no Ceará. Imperava o uso da máquina Pública nas eleições e na política partidária. Os partidos se ideologia, não passam de instrumentos para elite manter-se no poder. Nesse período, foi o Ceará governado por 44 presidentes.
  • Ceará na Guerra do Paraguai: As elites se alistavam voluntariamente (indo compor a alta oficialidade, sem lutar no front de batalha), a classe media participava de sorteios “premiados” (só se livrava se subornasse o encarregado do serviço militar ou tivessem um “padrinho” forte”; e a população mais pobre que era recrutada a força (tendo que fugir para as serras de onde eram caçados). Destaques cearenses na Guerra do Paraguai: Antonio Tibucio Cavalcanti, Clarindo de Queiroz, General Sampaio e Jovita Feitosa (mulher que se disfarçou para ir a Guerra).
  • Ceará “terra da Luz”: O Ceará foi pioneiro na abolição da escravatura negra. Há evidências de negros no inicio da colonização. Existia para o Ceará um pequeno tráfico negreiro, indireto, vindo sobretudo de Recife e São Luiz. Os africanos do Ceará eram originários principalmente do Congo e Angola. Os cativos sempre lutaram contra a escravidão. São fatos que explicam o pionei­rismo da abolição na província: A resistência negra, o pouco peso do negro na economia, o tráfico interprovincial (motivado pela secas, pelo surto cafeeiro do centro-sul e pela lei Euzébio de Queiroz), a atuação de entidades abolicionistas e dos setores populares (entre estes destacaram-se Luís Napoleão e Francisco José do Nascimento ou "Dragão do Mar"). No campo jurídico, a 25 de março de 1884, promulgou-se Lei inviabilizando a escravidão no Ceará, embora existam registros de cativos em datas posteriores.
  • Economia do Ceará no Segundo Reinado: Algodão, as primeiras fábricas do estado (ligadas ao beneficiamento do algodão e ao setor têxtil, cigarros, calçados, sabão, chapéus, etc.), cera de carnaúba, borracha de maniçoba, café (nas serras).
  • A hegemonia político-econômica de Fortaleza, iniciada por volta das décadas de 1820-1830, firmou-se na segunda metade do século XIX, em conseqüência: * dos capitais acumulados com o comércio exportador de algodão e de outros produtos, como café, borracha, couro etc.; * da centralização política imposta pela Monarquia brasileira, em particular do segundo reinado (1840-1889), quando as diretrizes administrativas do Império concorreram para concentrar nas capitais das províncias todo o poder decisório; *da própria condição de capital de Fortaleza, o que transformava em ponto destacado na recepção de obras e recursos públicos; *da construção e melhoria de estradas e ferrovias (como a Estrada de Ferro Fortaleza- Baturité – instalada em 1873), que ligavam o interior à Capital, tornando Fortaleza o grande centro coletor e exportador da produção sertaneja. *da intensa migração rural-urbana; Fortaleza torna-se núcleo de atração preferido pelo excedente populacional dos campos, bem como pelas vítimas das secas.
  • Modernização de Fortaleza no século XIX: bondes de tração animal, calçamentos, linhas de vapor (para a Europa e RJ) canalização da água, iluminação a gás carbônico (em substituição à de óleo de peixe), telegrafo, telefonia (1883), novo porto, biblioteca publica, etc. no entanto seu maior símbolo foi a nova planta urbanística de Fortaleza de Adolfo Herbster (não se esqueça a anteriot foi a de Silva Paulet com o governador Sampaio 1812-20); nessa época se queria civilizar a população pobre que reagia a esse processo com uma conduta “amolecada” ESSE PERIODO É CONHECIDO COMO A BELLE EPOQUE CEARENSE. Esse período foi interromoido pela seca de 1877-79 ( 10-12-1878 – “Dia dos mil mortos”: 1004 mortos)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ECONOMIA CEARENSE NA COLÔNIA

  • A Pecuária: · Ganhou força e ocupou os sertões cearense a partir do ultimo quartel do século XVII. Contribuíram para o povoamento dos sertões: a crise econômica lusa, o aumento do número de reses no litoral e a própria Carta régia de 1701. A ocupação dos sertões ocorreu com 2 correntes de povoamento: Sertão de fora, dominada por pernambucanos, vindos pelo litoral, e Sertão de Dentro, dominada por Baianos. Na ocupação verificou-se o extermínio de índio, embora este reagisse. · Para expansão pecuarista, contribuíram fatores como as vastas extensões, as abundantes pastagens, o caráter salino do solo, a própria facilidade na aquisição das sesmarias, a exigência de pouco capital para o estabelecimento das fazendas, além do fato de que, o gado, na hora da comercialização, dispensava as despesas com transporte, pois consistia num produto que se autotransportava - daí a afirmação segundo a qual o boi era mercadoria, transporte e frete. · O símbolo maior da pecuária foi o vaqueiro; pouco se utilizou o negro no criatório que, ao mesmo tempo, facilitava o uso do índio "manso". A fazenda era a unidade econômico-social dos sertões, dominados pelos coronéis. · A vultosa quantidade pecuarista opunha-se a diminuta população da capitania; a solução para tal, de início, foi a venda do gado, vivo, nas feiras de Pernambuco, Bahia e Minas Gerais. Nesses caminhos, o gado chegava abatido e sem valor, o que motivou o inicio da comercialização do gado abatido.
  • As Charqueadas ( metade do século XVIII) · Para o desenvolvimento do charque contri­buíram os ventos constantes, a baixa umidade relativa do ar, a existência do sal, o grande rebanho da capitania e a necessidade de poucos recursos para instalação das oficinas de charque. · As charqueadas possibilitaram uma divisão do trabalho e uma interpenetração comercial entre o sertão e o litoral; o surgimento de um mercado interno; o desenvolvimento de núcleos urbanos e uma diversificação da produção local, com o couro, sobretudo. · O couro por ser bastante usado pelos campo­neses, fez surgir uma "civilização do couro". · Do principal produtor de charque, Aracati, as oficinas propagaram-se para Acaraú, Sobral, Camocim e Granja. Dali a carne era levada para Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, onde serviria de alimento para pobres e escravos. · No final do século XVIII, devido às secas (1777-78 e 1790 a 1793), à concorrência gaúcha e ao desenvolvimento da cotonicultura, o charque entrou em decadência.
  • O Algodão · O algodão, já conhecido dos índios, de início possuía pequeno cultivo, mas, com a demanda externa (provocada pela revolução industrial e pela guerra de independência dos EUA – 1774-83) houve uma grande expansão. · A cotonicultura foi praticada não só em latifúndios, mas também em médias e pequenas propriedades, possibilitando o binômio gado­-algodão. Pouco empregou a mão-de-obra negra. · Fortaleza tornou-se o maior centro coletor da produção algodoeira interiorana, fato que contribuiu para consolidá-Ia como principal núcleo urbano do Ceará na segunda metade do século XIX. · O auge do algodão cearense aconteceu durante a guerra da secessão norte-americana (1861-64). Também desenvolveram-se no Ceará colonial as lavouras de subsistência, a exploração

CEARÁ COLÔNIA – INÍCIO DA OCUPAÇÃO

  • Introdução: · Até o século XVII estávamos abandonados: correntes marítimas e aéreas, os índios bravios e presença de estrangeiros, clima árido, não apresentava atrativos econômicos (metais preciosos ou especiarias). · Objetivos do inicio da ocupação: proteger a região das invasões estrangeiras (franceses) e servir de ponto de apoio para a ocupação da região Norte.
  • As Tentativas oficiais. · 1ª Tentativa oficial, 1603, Pero Coelho de Sousa: teve o direito de explorar a região. Fundou os fortes: São Tiago (Rio Ceara, foi destruído pelos índios) → São Lourenço (Rio Jaguaribe, não resistiu as secas de 1605 a 1607 e aos ataques indígenas). · 2ª Tentativa oficial, 1607/08, Francisco Pinto e Luis Figueiras: jesuítas que vi9ham catequizar os índios. Foram atacados pela tribo dos tacarijus, só Luis Figueiras conseguiu fugir. · 3ª Tentativa oficial, Martim Soares Moreno, 1611 a 1631: considerado pela historiografia tradicional como o grande fundador do Ceará. Fundou Forte São Sebastião, era hábil com o índio, procurou desenvolver a pecuária e a cana-de-açúcar.
  • A presença holandesa no Ceará. · Objetivo servir de apoio a dominação de Pernambuco. · Conquistaram o Forte São Sebastião em 1937 → o forte foi destruído e os holandeses expulsos do Ceará pelos índios → em 1649, liderado por Matias Beck, retornam e fundam o Forte Shoonenborch → que em 1654 é tomado pelos portugueses → passa a se chamar: Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. ATENÇAO: DE 1621 A 1656 O CEARÁ ERA SUBORDINADO AO MARANHÃO → PASSANDO DAÍ AO DOMINIO PERNAMBUCANO ATÉ 1799.

História do Ceará – Ceará Colônia

Durante o século XVI o Ceará esteve praticamente esquecido pela Metrópole. Causas: falta de metais preciosos, não era favorável ao plantio de cana-de-açúcar, não tinha especiarias e sua dificuldade de acesso (correntes marinhas e aéreas).
Durante o século XVII a província começaria a ser colonizada para servir de ponto de apoio estratégico-militar para a expulsão dos franceses do maranhão. Nesse contexto destacam-se: Pero Coelho (1603 – a primeira tentativa oficial de colonizar o Ceará), Martim Soares Moreno (1611 – considerado o “fundador do Ceará”) e os holandeses (que fundaram o forte Schoonenboch, mais tarde Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, ponto de apoio para a fundação da capital cearense).
Inicio da ocupação cearense foi com o gado, devido ao aumento do numero de rezes no litoral e a Carta regia de 1701. a fazenda era a unidade econômico-social dos sertões cearenses. Sua mão-de-obra era essencialmente livre e mestiça e o gado era vendido vivo nas feiras de Pernambuco principalmente.
Do gado para as charqueadas foi motivada pelos prejuízos do transporte do gado vivo para as feiras. Nesse processo as condições cearenses eram bastante favoráveis: ventos constantes, baixa umidade do ar, existência de sal, grandes rebanhos da capitania e a pouca necessidade de capitais para montra as oficinas.
O binômio gado-algodão paralelo ao gado desenvolveu-se a cultura do algodão cearense foi produzido não apenas nos latifúndios como também em pequenas propriedades. Na cotonicultura pouco se utilizou da mão-de-obra negra. A atividade foi responsável pelo desenvolvimento de Fortaleza (centro coletor e exportador do produto). O algodão cearense vai ter a sua grande expansão durante a Guerra de Independência dos EUA (1774-83) e a Guerra de Secessão Americana (1861-64).
Ceará subordinado a Pernambuco (1656 – 1799) o objetivo da metrópole era dinamizar a cobrança de impostos e submeter os senhores de terras ao mando da coroa. Esse período era prejudicial a economia cearense, pois as mercadoria tinham que passar por Recife antes de ir para Lisboa. Os governadores cearenses mais destacados do período foram: Barba Alado (1808-12, que governo o Ceará no momento da Abertura dos Portos) e Governador Sampaio (1812-20, que enfrentou a Insurreição Pernambucana de 1817 no Ceará)