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domingo, 22 de maio de 2016

Agua

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Discurso memorável no Rio +20




Economia Rio 20 Discurso do Presidente do Uruguai: José Pepe Mujica Critica Liberalização Mercado


Discurso do Presidente do Uruguai: José Pepe Mujica

domingo, 22 de julho de 2012

História de Fortaleza


A capital cearense, que  celebra 286 (13/04/2012)  anos com comemorações em alusão a data de fundação, tem, é claro, os problemas comuns às capitais brasileiras. Mas problemas à parte, a capital também tem muita história para contar aos seus moradores e visitantes.
 Para quem não sabe, Fortaleza, nem sempre foi a principal cidade do território que na época era conhecido como Capitania do Ceará. Até 13 de abril de 1726, era apenas uma vila, um tanto quanto grande, mas ainda insignificante para os que controlavam a região. Na época a cidade de Aquiraz, (hoje um município que faz parte da Região Metropolitana de Fortaleza, distante da capital 32 km) era a sede da Capitania.


FUNDAÇÃO

 - A região onde hoje está a capital cearense já havia recebido, no século anterior (XVII) à sua fundação, duas expedições holandesas. Em 1637, com forte de São Sebastião, os primeiros holandeses tentaram fincar os pés na região, porém foram dizimados anos mais tardes pelos índios. A segunda tentativa dos holandeses aconteceu em 1649, onde construíram o forte de Schoonenborch (nome dado em homenagem ao governador de Pernambuco na época), para a proteção local. Porém o comando dos holandeses durou sete anos, quando foram expulsos pelos portugueses que assumiram o controle do forte, aumentando suas dimensões e rebatizando-o de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.

Foi no entorno do Forte, às margens do rio Pajeú, que surgiu e cersceu a vila que se tornaria a sede da capitania anos mais tarde, embora, ainda dependesse economicamente de outra vila: a de Aracati (cidade que também existe até hoje, no litoral leste do estado, a 148 km de Fortaleza), devido ao porto instalado naquela vila. A data comemorativa de Fortaleza tem base na definição do nome da vila ("Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção" seria abreviado para Fortaleza, como é conhecida a capital).


Imagem do Seminário da Prainha, que existe até hoje, no começo da Avenida Monsenhor Tabosa.

CRESCIMENTO

 - A vila sede da Capitania seria elevada ao título de cidade em 1823, como nome de Fortaleza de Nova Bragança, nome que durou pouco, voltando ao original de Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção.
É no Segundo Império que a pequena cidade ganha seu destaque diante as outras cidades no Ceará com a política centralizadora de Dom Pedro II. É entre 1846 e 1877 que a cidade ganha melhorias urbanísticas. Nesse período são construídos o Farol do Mucuripe (hoje fechado e abandonado, aguardando políticas públicas para voltar a ser o museu que uma vez já foi, quando funcionou nas décasdas de 1980 e 1990), a Santa Casa de Misericórdia (ainda em funcionamento), Seminário da Prainha (reformado há pouco pelo governo do estado e ainda funcionando) e a Cadeia Pública (onde hoje funciona a Emcetur - centro comercial de artesanato no centro da cidade).


PARIS COMO MODELO 

- Fortaleza teve seu período conhecido como Belle Époque. O nome surgido na Europa traduzia a empolgação pública quanto a revolução científico-tecnológica. Como o período também marcava as mudanças urbanísticas, tudo em Fortaleza (arquitetura, cultura e até o comportamento dos fortalezenses) se inspirou em Paris. E tudo graças ao financiamento da exportação do algodão (que em 1870 ganhou destaque e o valor da matéria-prima subiu estonteantemente).



Vista aérea de Fortaleza. A praça na imagem é a atua praça dos Leões, com o museu do Ceará ao fundo e o Palácio da Luz, onde funciona a Academia Cearense de Letras nos dias de hoje

Fortaleza ganhava na época bondes, telefones, praças, os famosos boulevards e cafés. Tinha-se o passeio público, inspirado nos jardins europeus. A praça do Ferreira, com seus cafés também ganhou os mesmos jardins. Até as lojas de roupa não importavam só a moda francesa, mas também os nomes, como maison art-noveau e torre eiffel.

Até mesmo a projeção da expansão da cidade teve base nas ideias do Barão de Haussmann, responsável por grandes mudanças urbanas em Paris. O projeto de expansão, feito pelo engenheiro Adolfo Herbster, criou a planta topográfica da capital, com as ruas em formato xadrez de forma a melhor disciplinar o crescimento da cidade.

SÉCULO XX 

- Fortaleza entrava no novo século XX com a sétima maior população do Brasil (hoje é a quinta maior no país). A cidade já tinha cafés, prédios que lembravam as melhores paisagens arquitetônicas de Paris. Já era dotado de um melhoramento de saneamento básico, considerando os padrões da época. Transporte público como bondes facilitavam o deslocamento na capital, que ainda em 1910 ganharia os primeiros automóveis a transitar pelas ruas.
 É também no começo do século que a cidade recebe a construção e inauguração do Theatro José de Alencar, que passa a ser o principal centro cultural da cidade. Ainda hoje, o teatro é bastante procurado pelos turistas e ainda recebe peças teatrais locais e nacionais.
 Nos anos 20 e 30, Fortaleza se expandia para os bairros de Jacarecanga, Praia de Iracema e Aldeota, com as primeiras famílias elitistas a terem verdadeiras mansões na melhor arquitetura europeia. Hoje, grande parte dessas construções já foram derrubadas pela especulação imobiliária na aldeota e praia de Iracema. No bairro de jacarecanga alguns prédios ainda resistem, bem como o Liceu do Ceará.


Foto da Praça do Ferreira na década de 20. No local do coreto, hoje está a Coluna da Hora.

EXPANSÃO

- Com o crescimento da cidade surgiu o movimento de migração do interior para a capital. Fugidos da seca que assola grande parte do território, a cidade viu sua população crescer de 48 mil habitantes no início do século XX para 112 mil 40 anos mais tarde. É nessa época que surgem as primeiras comunidades e a periferia da capital. Pirambu, considerada hoje uma das comunidades mais populosas da América Latina, surgiu em 1935; Áreas como o Lagamar e o Mucuripe em 1933, Morro do Ouro em 1940. Outros bairros como a Varjota e o Meireles surgiram em 45 e 50, respectivamente.

FORTALEZA NOS DIAS DE HOJE

- A capital cresceu, se tornou um das mais visitadas pelos turistas no nordeste. Apresenta os problemas casuais das cidade comuns. Entre eles, dito pelos próprios moradores, estão a falta de estrutura da malha viária e engarrafamentos. Mas resite às intempéries das fortes chuvas e segue cada vez mais se posicionando como uma das principais capiais do nordeste. Tem hoje o segundo maior reveillon do Brasil em número de pessoas; é a quinta capital do país em população e se prepara para receber a copa do Mundo de 2014.


Fonte: Leonardo Heffer
Do NE10/Ceará

domingo, 29 de abril de 2012

Guantânamo

Na entrada do Campo Delta, há uma placa com os dizeres: “Pela nossa honra somos obrigados a defender a liberdade.” Nada que merecesse maior atenção, não fosse o fato de o local abrigar uma das mais infames prisões já engendradas pela mente humana, o Campo de Detenção da Baía de Guantânamo. A ironia contida na placa remete inevitavelmente a outro dístico, colocado no portão do campo de concentração nazista de Auschwitz, onde judeus eram exterminados em massa: “O trabalho liberta”. 

O objetivo formal desse presídio é o de ensejar um espaço em que os prisioneiros não estejam amparados nem pelas leis de seus países de origem nem pela legislação dos EUA. Para que não sejam enquadrados na Convenção de Genebra, também lhes é negada a condição de prisioneiros de guerra. Ficam, pois, num limbo jurídico em que nada os protege, em franca violação a resoluções da ONU. 

O governo norte-americano se recusa também a ouvir os numerosos apelos de organizações que atuam na defesa dos direitos humanos. 

As centenas de homens que lá estão ou que por lá passaram não são submetidos à acusação formal e não são apresentadas provas de seus crimes; não têm direito a advogado e sequer a julgamento. Muitos vieram de centros de tortura em Bagran e Kandahar, no Afeganistão, e Abu Ghraib, no Iraque. Outros, das dezenas de prisões clandestinas mantidas pelos EUA em diversos países, que formam uma comunidade internacional da barbárie. Invariavelmente, são pintados como monstros terroristas, merecedores de toda a sorte de maus tratos, conforme depoimentos dos soldados Brandon Neely e Terry Holdbrooks, ex-guardas do presídio. 

Cidadão britânico de origem paquistanesa, Moazzam Begg é um modelo vivo das atrocidades a que estão sujeitos os enclausurados de Guantânamo. Detido em Islamabad, Paquistão, em fevereiro de 2002, sob a acusação de pertencer à Al Qaeda, Begg passou inicialmente pela prisão de Bagram, onde militares dos EUA rasparam-lhe os cabelos, encapuzaram-no, amarraram-lhe os pés e as mãos nas costas, aplicaram-lhe socos e chutes, colocaram-no nu, submeteram-no a violências sexuais e simularam torturar sua esposa e filhos em salas contíguas à que ele se encontrava. Presenciou a morte de dois prisioneiros sob tortura. 

Levado a Guantânamo, esteve diariamente submetido a maus tratos, em uma cela medindo 2,40 m x 1,80 m, sem janelas e sem luz natural. Foi libertado em janeiro de 2005, sem que lhe fosse feita qualquer acusação. Ficaram-lhe, indeléveis, as marcas da bestialidade. Casos assim contam-se às centenas. 

Desmoralização 

Ao assumir a presidência dos EUA, em janeiro de 2009, Barak Obama declarou que no prazo de um ano acabaria com a prisão. Para sua maior desmoralização, chegou a assinar o decreto de fechamento do cárcere. Não só deixou de cumprir seu compromisso, como em 31 de dezembro de 2011 assinou outra lei, o chamado “Ato de Autorização da Defesa”, que permite a detenção por tempo ilimitado de pessoas sob suspeita de terrorismo, inclusive cidadãos dos EUA. Isso na terra da liberdade! 

Há duas interpretações para o recuo de Obama, que não são necessariamente excludentes: o poder do presidente dos EUA não é tão absoluto quanto se imagina, pois são os cartéis do petróleo, a indústria militar e as forças armadas que atuam nos bastidores determinando o que pode e o que não pode ser feito pelo império; o anúncio de Obama pretendia, de fato, desmobilizar os movimentos em defesa dos direitos humanos, que denunciavam ativamente a ilegalidade e a violência em Guantânamo. 

O espantoso é que as autoridades estadunidenses escolheram para cenário dessa opressão um território já representativo de outro desrespeito às normas internacionais. Guantânamo foi o butim cobrado pelos EUA, em 1903, para retirar suas tropas de Cuba após a expulsão dos espanhóis. Saiu a decadente potência colonial europeia, entrou o reluzente novo império nas suas primeiras passadas globais. Em acinte à legitimidade, o acordo de cessão da base foi assinado por um governante imposto pelos ianques, em um país sob sua ocupação. 

Mantendo este enclave contra a vontade do povo cubano, o governo estadunidense faz letra morta da Resolução de nº 1514, da ONU, que estabelece ser incompatível com a Carta das Nações Unidas toda tentativa visando destruir total ou parcialmente a unidade nacional e a integridade territorial de um país. 

Sobra, enfim, o fato de que a Base Naval dos EUA em Guantânamo sintetiza com clareza notável o desprendimento com que esse império se dedica a exercitar a prepotência desmedida contra seres humanos e contra nações soberanas. 

Sued Lima: Coronel Aviador Ref. Pesquisador do Obseratório das Nacionalidades


domingo, 16 de outubro de 2011

Falta de mão de obra ameaça crescimento; em 2010, 24% das vagas no CE ficaram ociosas

Ceará preencheu 76% das vagas ofertadas no Sine. É o terceiro maior índice do País, atrás do MA (91%) e AL (81%)
Com o desemprego em queda e a falta de qualificação no mercado de trabalho, preencher vagas não tem sido fácil para as empresas. De acordo com dados do Sine/IDT Ceará (Sistema Nacional de Emprego/Instituto de Desenvolvimento do Trabalho), na média do ano passado, das oportunidades postas à disposição, 24% acabaram não sendo aproveitadas e 76% foram encaminhadas com sucesso, tendência que permanece.

O percentual não utilizado, mesmo elevado, é o terceiro melhor do País, abaixo apenas dos números do Maranhão (9%) e Alagoas (19%). Segundo o Sine/IDT, foram 120.422 postos ofertados, dos quais 91.593 foram ocupados, totalizando 28.829 vagas que ficaram ociosas.

De acordo com o coordenador de Intermediação de Profissionais do Sine/IDT, Antenor Tenório, em comparação com a média nacional, que é de 34% de aproveitamento, o Ceará se coloca em posição de destaque no grau de eficiência dos encaminhamentos.

Alternativas
Ele lembra que essas quase 29 mil vagas não ficaram necessariamente inativas. "Quando as empresas tentam com a gente e não conseguem preencher, eles costumam partir para outras alternativas, como publicações em jornais, indicações de pessoas que já trabalham no local e até mesmo contratação de empresas de consultoria para selecionar esses trabalhadores", enumera. Em último caso, quando todas as opções se esgotam, os contratantes acabam tendo de formar o profissional, por meio de algum programa de qualificação, completa Tenório.

Qualificação é baixa
Segundo ele, quando as vagas exigem um currículo com grande nível de complexidade e conhecimentos muito específicos, costuma haver demora para achar candidatos à altura. "A qualificação é muito baixa. Lidamos bastante com falta de experiência", lamenta Tenório.

Banco de dados
Algumas empresas, diz ele, usam o Sine apenas para fazer banco de dados, prática que acaba ludibriando os interessados. "Elas anunciam vagas, mas, às vezes, acaba acontecendo que o preenchimento não é para aquele momento, e sim para o futuro. Nós tentamos evitar isso, mas acaba ocorrendo", diz.

Oficinas
No intuito de otimizar o processo, diz Tenório, o IDT tem realizado oficinas para preparar o trabalhador que pleiteia o posto na seleção, com dicas para orientar os interessados no momento da entrevista. Outro serviço é o Núcleo de Psicologia, oferecido às empresas para processos seletivos. "Esse núcleo é um diferencial. Muitas vezes a empresa não é daqui e, quando chega para contratar, não tem estrutura. Ajudamos nessa questão, fornecendo psicólogos", diz. "Outro ponto é a imprensa. Sempre divulgamos vagas em rádio, televisão e jornais", completa. 

VICTOR XIMENESREPÓRTER

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dívida americana Estados Unidos afastam risco de calote




O governo dos Estados Unidos venceu no início de agosto uma importante batalha – só que em um front doméstico. Em meio a um ambiente de tensão e expectativa nos mercados financeiros, o Congresso americano aprovou a elevação do teto da dívida pública. Dessa forma, evitou o risco de um calote inédito da maior economia do planeta, o que poderia provocar uma crise na economia mundial.

O debate que antecedeu a votação no Parlamento também forneceu uma lição de como a economia depende de decisões políticas. Durante quase um mês, o mundo ficou praticamente refém dos dois partidos políticos americanos, o Democrata e o Republicano, que possuem visões antagônicas. Como isso aconteceu? Dívida pública é o conjunto dos empréstimos que um Estado faz para cobrir gastos que incluem saúde, obras, aposentadorias e pagamento de credores. A dívida surge quando o valor arrecadado com impostos não é suficiente para pagar as despesas. É parecido com o orçamento doméstico: se não temos dinheiro para fazer uma reforma na casa, podemos pedir emprestado ao banco.

Essas dívidas são contraídas por meio da emissão de títulos públicos. O título é uma garantia de que o valor investido naquele país – por um banco, uma empresa, um cidadão ou outro Estado – será ressarcido com juros.

Em algumas circunstâncias, o endividamento pode atingir o patamar previsto no orçamento. Foi o que aconteceu nos Estados Unidos. Os gastos militares com as guerras do Iraque e do Afeganistão, somados à crise financeira de 2008, fizeram com que o limite (US$ 14,3 trilhões ou cerca de R$ 22,2 trilhões), fosse atingido em 16 de maio. Uma manobra do Executivo permitiu estender esse prazo-limite para 2 de agosto, mas algo precisava ser feito. 

Quem determina o teto de endividamento federal nos Estados Unidos, desde 1917, é o Congresso. Por isso, democratas e republicanos elaboraram projetos visando o aumento desse limite. Caso uma proposta não fosse aprovada até 2 de agosto, os Estados Unidos não teriam como pagar seus credores, decretando moratória. Seria o primeiro calote na história americana. O mais grave é que os títulos do país são considerados os mais seguros do mundo. Quais seriam as conseqüências de um calote do Tesouro americano?

De acordo com analistas, em primeiro lugar, o país perderia a credibilidade. E credibilidade é essencial no universo das finanças. Afinal, ninguém emprestaria dinheiro para um mau pagador.

Agora, imagine se esse mau pagador fosse a nação mais rica do mundo. O calote afetaria não somente a economia interna, mas a de outros países. O Brasil, por exemplo, é o quinto maior credor estrangeiro do governo americano (o primeiro é a China). Poderia haver outra crise econômica como a de três anos atrás.

Política

O impasse surgiu quando as propostas começaram a ser debatidas no Congresso. Não havia consenso entre os parlamentares.

Os democratas, que formam a base aliada do governo, são mais liberais, enquanto os republicanos (que fazem oposição) tendem a ser mais conservadores. Ambos os lados concordaram que era preciso equilibrar as contas do governo. Mas divergiam sobre o modo de fazer isso.

Os republicanos queriam que o governo cortasse gastos na área social e eram contrários ao aumento de impostos. Já os democratas propunham aumentar os impostos dos mais ricos e reduzir gastos militares, protegendo os programas sociais.

Em 1º. de agosto, os deputados federais aprovaram um plano bipartidário na Câmara dos Representantes, por 269 votos a favor e 161 contra. No dia seguinte, no prazo final, o Senado aprovou a proposta por 74 votos a 26. Até o término da votação, o clima de incerteza afetou os mercados internacionais.

O acordo prevê que o nível de endividamento seja elevado em até US$ 2,4 trilhões (R$ 3,7 trilhões). Isso será feito em etapas até 2013, evitando novas disputas no ano que vem, quando ocorrem eleições presidenciais.
Outra medida do plano é o corte de gastos, no mesmo montante, em dez anos. É, portanto, uma espécie de cheque que o governo receberá para gastar, mas que terá de pagar no futuro. Os cortes nas despesas terão ainda que passar pelo Legislativo.

Apesar de a sanção da lei ter evitado uma crise, a imagem dos Estados Unidos não saiu ilesa da disputa política. E, a despeito do alívio nas bolsas de valores, os mercados financeiros serão assombrados por uma dúvida: quando virá o próximo sufoco?
José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Autoridade Nacional propõe reconhecimento na ONU



Sem sucesso em acordos de paz com Israel, a Autoridade Nacional Palestina decidiu mudar de estratégia e propor na 66ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) o reconhecimento do Estado Palestino nas fronteiras pré-1967, situando a capital na parte oriental de Jerusalém. A proposta é recusada por Israel e Estados Unidos.

Mesmo que seja aprovada, uma resolução em favor da Palestina não garantirá o fim dos conflitos com os israelenses. As negociações de paz estão paralisadas há um ano devido à resistência de Israel em desocupar territórios árabes.

Mas ser aceito como o 194º. Estado da ONU teria um efeito político importante para os palestinos. Eles teriam acesso, por exemplo, a tribunais internacionais, onde poderiam abrir processos contra o governo israelense por conta das áreas invadidas.

Há décadas árabes e judeus disputam as mesmas terras no Oriente Médio. No século 19, colonos judeus foram incentivados a migrarem da Europa para a Palestina. O objetivo era constituir o Estado de Israel. Os árabes, contudo, já habitavam a região há séculos.

Durante a perseguição nazista, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o fluxo migratório de judeus se intensificou. Em 1947, a ONU propôs a divisão da Palestina, formando dois Estados independentes. Jerusalém, cidade considerada sagrada por cristãos, judeus e muçulmanos, foi colocada sob controle internacional, para evitar conflitos. Os árabes não aceitaram o acordo e, no ano seguinte, Israel se tornou um Estado independente.

A tensão entre Israel e países árabes culminou na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Ao fim dos combates, os israelenses assumiram o controle da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, então pertencentes à Jordânia; da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, domínios do Egito; e das Colinas de Golã, território da Síria.

Os árabes que viviam nessas terras foram expulsos ou se retiraram para campos de refugiados. Os judeus, estimulados pelo governo, começaram a criar assentamentos em Gaza e na Cisjordânia. Nos anos seguintes, ocorreram guerras, massacres e atentados terroristas. A Península do Sinai foi finalmente devolvida ao Egito em 1982, e a Faixa de Gaza, entregue aos árabes em 2005.

Em 23 de setembro, o presidente da autoridade palestina, Mahmoud Abbas, entregou ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, uma carta com o  pedido de inclusão da Palestina como membro pleno da organização,  nas fronteiras definidas antes das ocupações. Países como o Brasil já reconheceram o Estado Palestino.

A reivindicação tem respaldo na Resolução 242 da ONU, de 1967, que determina a desocupação das áreas palestinas. O documento, contudo, nunca foi seguido por Israel.

Votação

Israel não aceita a proposta, pois ela significaria a dissolução dos assentamentos da Cisjordânia, onde vivem cerca de 300 mil judeus (e 2,5 milhões de palestinos), além de abrir mão de Jerusalém Oriental, dividindo novamente a capital. Haveria riscos, de acordo com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de expor o país à ação de radicais islâmicos.


Em maio, quando o presidente americano, Barack Obama, pediu para que as negociações de paz se pautassem pelas fronteiras traçadas em 1967, Netanyahu considerou o pedido "irreal" e "indefensável".


Agora, o governo americano, principal aliado de Israel, deve ser o maior obstáculo para a admissão do Estado Palestino na ONU. Isso porque a proposta deve ser antes aprovada por nove dos 15 países membros do Conselho de Segurança, sem sofrer nenhum veto. Cinco membros permanentes têm poder de veto: Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e ‘China. Washington sinalizou que, se preciso, vetará a medida para pressionar os palestinos a retomarem as negociações com Israel.

Por outro lado, se a candidatura palestina receber aprovação do Conselho, deverá ser votada na Assembleia Geral, onde precisará do voto de dois terços dos 193 países membros.Uma decisão da ONU como esta poderá isolar ainda mais Israel no cenário internacional. Hoje, revoltas em curso em países como Síria e Egito, junto com o apoio de países ocidentais à causa palestina, fortalecem os árabes na geopolítica do Oriente Médio.

José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
  

sábado, 24 de setembro de 2011

FORMAÇÃO E DESINTEGRAÇÃO DA IUGOSLÁVIA



è Origens do mosaico de culturas
  •  Remontam do fim da Primeira Guerra que desmembrou os impérios Alemão, Russo, Austríaco e Turco à surgido novos países (Finlândia, Letônia, Estônia,' lituânia, Polônia, Iugoslávia, . Tchecoslováquia, Albânia, Áustria e Hungria).
  • A Iugoslávia se formou da desintegração do império Austro-Húngaro que dominava a região desde os séculos XII (Eslovênia e Croácia) e séculos XIX (as demais regiões com a desintegração do império Turco-Otomano).
  •  A Iugoslávia era constituída de seis Republicas Federadas: Sérvia, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Hezergóvina, Macedônia e Montenegro + duas regiões autônomas sob influência da Servia: Voivódina e Kosovo.
  •   Na composição da população iugoslava predominavam os sérvios, 36%; seguidos por croatas, 20%; muçulmanos, 12%; albaneses, 8%; eslovenos, 8%; macedônios, 6%; montenegrinos, 3%; húngaros, 2%; além de outros grupos étnicos minoritários constituindo-se por cerca de 5% da       população total.      
  •   Eslovênia e Croácia desenvolveram uma mentalidade capitalista enquanto as demais regiões (mulçumanas) desenvolveram uma mentalidade de resistência ao domínio da cultura do ocidente.







èCentralização
  • -Após a Primeira Guerra formou o Reino da Iugoslávia (Servia, Eslovênia, Croácia) à 1929 o Rei Alexandre I (sérvio) se declarou ditador à conflitos entre monarquistas e republicanos à invasão alemã durante a Segunda Guerra: disputas entre resistência e colaboracionistas à Marechal Tito consegue organizar a resistência e expulsar os alemães à1943, Marechal Tito proclama a República Socialista independente da URSS.
  • No governo do Marechal Tito os conflitos étnicos diminuíram, concedeu maior autonomia administrativa às seis repúblicas, montou um esquema de rodízio de presidentes entre as repúblicas e territórios.
èDesintegração da Iugoslávia
  • Fatores internos: conflitos étnicos, crise econômica (inflação, aumento da divida externa e desemprego), desejo das duas regiões mais ricas de se tornaram independentes (Eslovênia, Croácia), dominação sérvia.
  • Fatores externos: desintegração da URSS e crise do socialismo no Leste Europeu.
  • Conflitos: Bósnia-Hezergóvina (com grande heterogeneidade étnica à os sérvios tentaram criar a "limpeza étnica" - morte de homens e estupro de mulheres de outras etnias), Eslovênia, Croácia, Kosovo (maioria albaginense contra a Sérvia) . Atualmente as seis repúblicas se separaram.


sábado, 3 de setembro de 2011

Guerra do Vietnã


Introdução
·                    Ocorreu entre os anos de 1959 e 1975 e é considerado o mais violento conflito da segunda metade do século XX.
Antecedentes:
·                    Laos, Vietnã e Camboja faziam parte de uma região conhecida como Indochina. Estavam sobre o domínio francês e queriam a independência.
·                    durante a Segunda Guerra, o Japão invadiu e dominou esta região. Com o objetivo de combater os orientais, os vietnamitas, liderados por Ho Chi Minh  (líder revolucionário), se reuniram e formaram a Liga Revolucionária para a Independência do Vietnã (ligada ao partido comunista).
·                    Os primeiros conflitos ocorreram em 1941, ainda durante a Segunda Grande Guerra.
Quando esta terminou, começou o processo de descolonização, que originou uma luta entre tropas francesas e guerrilheiros do Viet Minh (Liga para a Independência do Vietnã).

Independência e divisão
·                    Derrotados, os franceses tiveram que aceitar a independência.Em 1954, a Conferência de Genebra (convocada para negociar a paz) reconheceu a Independência do Camboja, Laos e Vietnã.
·                    Outra medida tomada estabeleceu que o Vietnã ficaria dividido em:- Vietnã do Norte: socialista governado por Ho Chin Minh e  Vietnã do Sul: capitalista governado por Ngo Dinh-Diem è Essa divisão estaria valendo até as eleições para unificação do país, em 1956.
Inicio dos conflitos
·                    Em 1955, Ngo Diem liderou um golpe militar tornando-se ditador: cancelou as eleições, proclamou a Independência do Sul, brigou com os budistas, perseguiu nacionalistas e comunistas e seu governo foi marcado pela corrupção.
·                    Os americanos o apoiaram, porque estavam convencidos de que os nacionalistas e comunistas de Ho Chi Minh ganhariam as eleições e isso não era bom; pois se os comunistas ganhassem, acabariam influenciando outras nações a segui-los (“Teoria de Dominó”).
·                    Os EUA passaram a colaborar com o Vietnã do Sul enviando armas + dinheiro + conselheiros militares.Tudo isso fez com que surgissem os movimentos de oposição: Frente Nacional de Libertação (apoiados pelo Vietnã do Norte) juntamente com o seu exército Vietcong.
·                    Porém, depois que algumas embarcações americanas foram bombardeadas no Golfo de Tonquim, o presidente Lindon B. Johnson ordenou bombardeios de represália contra o Vietnã do Norte. Esse fato marcou a entrada dos EUA na guerra (1965).
·                    Em 1968, as tropas do norte e os vietcongs fizeram a chamada Ofensiva do Tet, ocupando inclusive a embaixada americana em Saigon. Isso fez com que os americanos sofressem sérias derrotas.
Saída (ou derrota?) dos EUA?
·                    Várias manifestações foram realizadas contra a participação dos EUA na guerra.
Em 1972, durante o governo do presidente Nixon, os EUA bombardearam a região de Laos e Camboja utilizando, inclusive, armas químicas, mas não adiantou, pois os guerrilheiros continuavam lutando.
·                    Eles (guerrilheiros) se saíram melhor, principalmente pelas vantagens geográficas, já que conheciam bem a região.
·                    Os americanos se retiraram do conflito em 1973 è Retorno da Guerra Civil: porém, a guerra só foi encerrada de fato em 30/04/1975, pois ainda havia alguns conflitos contra o norte.
·                    Em 1976, o Vietnã se reunificou e passou a se chamar República Socialista do Vietnã.
·                    Durante todo o desenrolar da guerra, os meios de comunicação do mundo inteiro divulgaram a violência e intensidade do conflito, além de falarem sobre o mau desempenho dos americanos, que investiram bilhões. Foi nesta guerra que os helicópteros foram usados pela primeira vez.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Partido Comunista faz 90 anos, sustentado pelo capitalismo


Partido Comunista chinês completou 90 anos de fundação no dia 1o de julho. No comando do país mais populoso do planeta, o partido sobreviveu ao colapso dos regimes comunistas do século 20 e continua mais forte do que nunca.

Vive, no entanto, um paradoxo que precisa ser solucionado: uma moderna e dinâmica economia de mercado aliada a um Estado repressor que limita as liberdades individuais e que destoa das democracias em vigor nos demais países desenvolvidos.

Para se adaptar ao mundo globalizado, o PC chinês precisou adotar o modelo econômico capitalista. As reformas começaram em 1978. Em três décadas, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu numa média anual de 10%, tirando 400 milhões de pessoas da pobreza.

O "milagre" chinês transformou um país agrário e analfabeto na atual segunda maior potência econômica do mundo, atrás somente dos Estados Unidos.

Na política, o governo mantém o controle total sobre a vida dos chineses. Não tolera oposição, reprime com violência os dissidentes e censura a imprensa e a internet. O país vivencia uma das maiores ondas de repressão dos últimos anos, tendo como alvo os ativistas pró-democracia (inspirados pelas revoltas no mundo árabe), tibetanos e outras minorias étnicas.

Hoje, o partido gasta mais com segurança interna, na censura e repressão ao povo, do que com a própria segurança externa.

regime ditatorial é o ponto fraco no domínio do partido, que sofre críticas de países ocidentais. Apesar disso, conta com o apoio da maior parte da população, beneficiada pelos avanços na área econômica.

O PC chinês foi fundado em 1921, numa reunião clandestina em Xangai, com apenas 53 integrantes (hoje possui 80,2 milhões de filiados, segundo dados oficiais). Entre os delegados presentes no primeiro encontro estava o líder revolucionário Mao Tsé-tung, então com 27 anos. O líder é cultuado até hoje naChina.
 

Massacres

O PC chegou ao poder em 1o de outubro de 1949, com a Revolução Chinesa, depois de combater os nacionalistas e os invasores japoneses. Nas três décadas seguintes, sob a liderança de Mao Tsé-tung, promoveu uma desastrosa campanha para modernizar o país que matou cerca de 20 milhões de pessoas de fome.

Em 4 de junho de 1989, o Exército Chinês tomou a praça da Paz Celestial(Tiananmen), em Pequim, e sufocou o maior protesto pró-democracia já ocorrido no país. Sete mil pessoas morreram, segundo estimativas de órgãos independentes.

Nos eventos de comemoração aos 90 anos, o governo quis deixar esse passado esquecido e divulgar os progressos recentes que tornaram o país rico. A festa foi um imenso esforço de propaganda, com o lançamento de um filme oficial sobre o partido, desfiles patrióticos e inauguração de obras como a mais extensa ponte sobre o mar do mundo, com 41,58 km, na cidade litorânea de Qingdao.

Em discurso na capital, o presidente e secretário-geral do PC, Hu Jintao, disse que o partido aprendeu com os erros do passado e que vai, daqui para a frente, combater a corrupção de membros do governo. A partir do ano que vem, a cúpula do partido começa a se renovar.
 

Revolução Chinesa

A China foi uma das civilizações mais avançadas do mundo antigo. Na era das dinastias, porém, o sistema feudal do Império deixou o país em desvantagem em relação às nações europeias. Assim, no início do século 19, o território chinês foi ocupado por estrangeiros.

A revolta contra o domínio colonial gerou levantes populares entre os camponeses, que perfaziam 80% da população. Foi nos campos que surgiram o Kuomintang (Partido Nacionalista Chinês), que proclamou a República entre 1911 e 1912, e o partido comunista.

No início, o PC e o Kuomintang eram aliados contra as potências colonialistas. Mas com o golpe militar em 1927, promovido pelos nacionalistas, os comunistas foram para a clandestinidade e adeririam à luta armada.

Sob a liderança de Mao Tsé-tung, o PC chinês derrotou o Partido Nacionalista e proclamou em 1949 a República Popular da China, como apoio da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

A China era então um país pobre, atrasado e destruído por mais de duas décadas de guerras civis. Por isso, Mao promoveu o Grande Salto Adiante (1958-1961), uma campanha de aumento da produção agrícola e industrialização. Os resultados, entretanto, foram catastróficos: milhões de chineses morreram de fome.

Outro período traumático foi a chamada Revolução Cultural, ocorrida entre 1966 e 1977. Nesta época, o exército prendeu, exilou e matou intelectuais e pessoas consideradas inimigas do governo.

Após a morte de Mao, Deng Xiaoping assumiu a liderança e realizou reformas políticas e econômicas, entre 1978 e 1980. As reformas tiveram como maior característica a abertura do mercado. Foram elas que garantiram a permanência do comunismo na China depois da queda dos regimes no Leste Europeu e possibilitaram que o país se tornasse uma das nações mais ricas do planeta.

Dívida americana - Estados Unidos afastam risco de calote


O governo dos Estados Unidos venceu nesta semana uma importante batalha – só que em um front doméstico. Em meio a um ambiente de tensão e expectativa nos mercados financeiros, o Congresso americano aprovou a elevação do teto da dívida pública. Dessa forma, evitou o risco de um calote inédito da maior economia do planeta, o que poderia provocar uma crise na economia mundial.
O debate que antecedeu a votação no Parlamento também forneceu uma lição de como a economia depende de decisões políticas. Durante quase um mês, o mundo ficou praticamente refém dos dois partidos políticos americanos, o Democrata e o Republicano, que possuem visões antagônicas. Como isso aconteceu?

Dívida pública é o conjunto dos empréstimos que um Estado faz para cobrir gastos que incluem saúde, obras, aposentadorias e pagamento de credores. A dívida surge quando o valor arrecadado com impostos não é suficiente para pagar as despesas. É parecido com o orçamento doméstico: se não temos dinheiro para fazer uma reforma na casa, podemos pedir emprestado ao banco.


Essas dívidas são contraídas por meio da emissão de títulos públicos. O título é uma garantia de que o valor investido naquele país – por um banco, uma empresa, um cidadão ou outro Estado – será ressarcido com juros.

Em algumas circunstâncias, o endividamento pode atingir o patamar previsto no orçamento. Foi o que aconteceu nos Estados Unidos. Os gastos militares com as guerras do Iraque e do Afeganistão, somados à crise financeira de 2008, fizeram com que o limite (US$ 14,3 trilhões ou cerca de R$ 22,2 trilhões), fosse atingido em 16 de maio. Uma manobra do Executivo permitiu estender esse prazo-limite para 2 de agosto, mas algo precisava ser feito. 

Quem determina o teto de endividamento federal nos Estados Unidos, desde 1917, é o Congresso. Por isso, democratas e republicanos elaboraram projetos visando o aumento desse limite.

Caso uma proposta não fosse aprovada até 2 de agosto, os Estados Unidos não teriam como pagar seus credores, decretando moratória. Seria o primeiro calote na história americana. O mais grave é que os títulos do país são considerados os mais seguros do mundo. Quais seriam as consequências de um calote do Tesouro americano?

De acordo com analistas, em primeiro lugar, o país perderia a credibilidade. E credibilidade é essencial no universo das finanças. Afinal, ninguém emprestaria dinheiro para um mau pagador.

Agora, imagine se esse mau pagador fosse a nação mais rica do mundo. O calote afetaria não somente a economia interna, mas a de outros países. OBrasil, por exemplo, é o quinto maior credor estrangeiro do governo americano (o primeiro é a China). Poderia haver outra crise econômica como a de três anos atrás. 

 
Política
O impasse surgiu quando as propostas começaram a ser debatidas no Congresso. Não havia consenso entre os parlamentares.

Os democratas, que formam a base aliada do governo, são mais liberais, enquanto os republicanos (que fazem oposição) tendem a ser mais conservadores. Ambos os lados concordaram que era preciso equilibrar as contas do governo. Mas divergiam sobre o modo de fazer isso.

Os republicanos queriam que o governo cortasse gastos na área social e eram contrários ao aumento de impostos. Já os democratas propunham aumentar os impostos dos mais ricos e reduzir gastos militares, protegendo os programas sociais.

Em 1º. de agosto, os deputados federais aprovaram um plano bipartidário na Câmara dos Representantes, por 269 votos a favor e 161 contra. No dia seguinte, no prazo final, o Senado aprovou a proposta por 74 votos a 26. Até o término da votação, o clima de incerteza afetou os mercados internacionais.

O acordo prevê que o nível de endividamento seja elevado em até US$ 2,4 trilhões (R$ 3,7 trilhões). Isso será feito em etapas até 2013, evitando novas disputas no ano que vem, quando ocorrem eleições presidenciais.

Outra medida do plano é o corte de gastos, no mesmo montante, em dez anos. É, portanto, uma espécie de cheque que o governo receberá para gastar, mas que terá de pagar no futuro. Os cortes nas despesas terão ainda que passar pelo Legislativo.

Apesar de a sanção da lei ter evitado uma crise, a imagem dos Estados Unidos não saiu ilesa da disputa política. E, a despeito do alívio nas bolsas de valores, os mercados financeiros serão assombrados por uma dúvida: quando virá o próximo sufoco?