segunda-feira, 6 de setembro de 2010
DIA DA MENTIRA
SAIBA COMO SÃO MARCADAS AS DATAS DO CARNAVAL E SEMANA SANTA
Fiel à sua doutrina, todos os anos a Igreja católica combate com veemência os excessos cometidos pelos foliões durante a maior festa popular do Brasil, o carnaval. O que pouca gente sabe é que esta folia pagã tem o seu calendário definido em conseqüência de um sistema de cálculo inventado pela própria Igreja católica.
Por essa metodologia, a igreja, primeiro, define uma de suas datas mais sagradas, o domingo de Páscoa, quando comemora a ressurreição de Jesus Cristo. A partir daí, chega-se ao domingo de carnaval com uma fórmula simples: contam-se retroativamente sete domingos.
É exatamente por isso que o domingo de Páscoa e o carnaval são datas móveis, ao contrário de outros feriados, fixos, a exemplo do 21 de abril (morte de Tiradentes), 7 de setembro (Independência), 2 de novembro (Finados) ou 15 de novembro (Proclamação da República).
Lua cheia eclesiástica
Como regra básica, a Páscoa tem de cair no primeiro domingo após a lua cheia que seguir ao equinócio de primavera no hemisfério norte. O equinócio marca o início da primavera - geralmente, a 21 de março. No entanto, a Igreja católica se baseia em projeções sobre o satélite feitas no início da Idade Média, que já não coincidem com o ciclo lunar real. Assim a Páscoa depende da chamada "lua cheia eclesiástica".
Durante muitos séculos, os fiéis e os próprios representantes da Igreja católica encontraram muitas dificuldades para entender e explicar a fixação do calendário da Páscoa e do próprio carnaval porque havia uma discrepância muito grande entre as datas.
Somente com a entrada em vigor do atual calendário, o gregoriano, criado pelo papa Gregório 13 (1502-1585), no século 16, é que o domingo de Páscoa passou a cair obrigatoriamente entre 22 de março e 25 de abril. A partir destas duas referências, os responsáveis pela organização do carnaval podem programar a festa com muita antecedência.
A instituição do calendário gregoriano aconteceu em 1582. Alertado por astrônomos sobre algumas imprecisões no calendário juliano, a Igreja católica suprimiu dez dias (de 5 a 14 de outubro) daquele ano para efetuar o ajuste no tempo. Ou seja: as pessoas foram dormir no dia 4 de outubro e acordaram no dia 15.
Carnaval fixo
A partir da década de 70, empresários e agentes hoteleiros que trabalham principalmente em cidades turísticas, como Rio de Janeiro, Salvador e Recife, iniciaram um movimento, para determinar uma data fixa para a folia carnavalesca, sob a alegação de que a festa móvel traz prejuízos econômicos ao país.
Mesmo sabendo da data com anos de antecedência, muitos turistas estrangeiros não conseguem vir ao Brasil porque não estão de férias no período carnavalesco. De acordo com os empresários, com uma data fixa, os turistas e os milhões de brasileiros que gostam do carnaval poderiam se programar para participar da festa. Por enquanto, eles ainda não obtiveram sucesso. Prevalece a tradição católica.
autora:Manuela Martinez é jornalista e publicitária.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
ENTENDA A BUROCRACIA
Modelo Weberiano
O alemão Max Weber foi um dos mais renomados pensadores sociais, fundador e expoente da teoria sociológica clássica. Ele elaborou um conceito de burocracia baseado em elementos jurídicos do século 19, concebidos por teóricos do direito. Dentro dessa perspectiva jurídica, o termo era empregado para indicar funções da administração pública, que era guiada por normas, atribuições específicas, esferas de competência bem delimitadas e critérios de seleção de funcionários. A burocracia, então, podia ser definida da seguinte forma: aparato técnico-administrativo, formado por profissionais especializados, selecionados segundo critérios racionais e que se encarregavam de diversas tarefas importantes dentro do sistema.A burocracia no Estado moderno
A análise de Weber também aponta que a burocracia, da maneira como foi definida acima, existiu em todas as formas de Estado, desde o antigo até o moderno. Contudo, foi no contexto do Estado moderno e da ordem legal que a burocracia atingiu seu mais alto grau de racionalidade. Segundo Weber, as principais características de um aparato burocrático moderno são:- Funcionários que ocupam cargos burocráticos são considerados servidores públicos;
- Funcionários são contratados em virtude de competência técnica e qualificações específicas;
- Funcionários cumprem tarefas que são determinadas por normas e regulamentos escritos;
- A remuneração é baseada em salários estipulados em dinheiro;
- Funcionários estão sujeitos a regras hierárquicas e códigos disciplinares que estabelecem as relações de autoridade.
Sistema eficiente
A divisão e distribuição de funções, a seleção de pessoal especializado, os regulamentos e a disciplina hierárquica são fatores que fazem da burocracia moderna o modo mais eficiente de administração, tanto na esfera privada (numa empresa capitalista) quanto na administração pública. O leigo, em geral, costuma criticar o aparelho burocrático, devido à sua rigidez administrativa, inadequação das normas e grande quantidade de regulamentos. Estes aspectos produzem resultados contrários aos esperados, como, por exemplo, a lentidão dos processos. De fato, a crescente racionalidade do sistema burocrático tende a gerar efeitos negativos, que podem diminuir drasticamente a eficiência de uma organização ou sociedade. Em contrapartida, novos modelos de estruturas burocráticas, alternativos ao modelo weberiano, têm sido experimentados.Dominação legítima
Para Weber, a burocracia moderna não é apenas uma forma avançada de organização administrativa, com base no método racional e científico, mas também uma forma de dominação legítima. Os atributos que regem o funcionamento da burocracia sintetizam as formas de relações sociais das sociedades modernas. Para Weber, a burocracia e a burocratização são processos inexoráveis, ou seja, inevitáveis e crescentes, presentes em qualquer tipo de organização, seja ela de natureza pública ou privada. A organização burocrática é condição sine qua non ("sem o qual não pode existir") para o desenvolvimento de uma nação, por ser indispensável ao funcionamento do Estado, gestor dos serviços públicos, e de todas as atividades econômicas particulares.Origens da ideologia anarquista
Anarquismo e comunidade fraterna
Origens do anarquismo
Movimentos anarquistas
Anarquismo no Brasil
- AUTOR: *Renato Cancian é cientista social, mestre em sociologia política e doutorando em ciências sociais. É autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: Gênese e Atuação Política - 1972-1985".
Panorama dos pré-socráticos ao helenismo
Pré-socráticos
A Grécia clássica
Platão e Aristóteles
Helenismo
Os mitos gregos e sua influência na cultura ocidental
Da mesma maneira, a maioria das palavras que dão nome às ciências têm origem grega: física, geografia, biologia, zoologia, história, etc. Também vêm do grego as palavras que designam os relacionamentos dos seres humanos entre si e em sociedade. É o caso de palavras essenciais, como ética, política e democracia.
Herança grega
Mas podemos ir mais além. Se o fim do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., representa o fim da influência greco-romana nos padrões culturais do mundo ocidental, que passou a ser modelado pelo cristianismo, por outro lado, a cultura e a mitologia greco-romana são retomadas ao fim da Idade Média no período que ficou conhecido como Renascimento, bem como no século 18, quando se desenvolve um movimento cultural conhecido como Neoclassicismo.
Religião e arte
Na verdade, mesmo em termos de Antigüidade, é muito difícil fazer uma separação entre mitologia e arte. A arte da Grécia antiga, por exemplo, trata essencialmente de temas mitológicos. E foi através da arte que tomamos contato com a mitologia grega: além de uma grande quantidade de templos (arquitetura), de esculturas, baixo-relevos e pinturas, a literatura grega é a principal fonte que temos dessa mitologia. Em especial, podemos destacar a obra de Homero, a "Ilíada" e a "Odisséia", que datam provavelmente do século 9 a.C., e a de Hesíodo, "Teogonia", escrita possivelmente no século seguinte.
Homero e Hesíodo
Entre elas, merecem destaque as tragédias (obras teatrais) de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, pois através delas conseguimos perceber com maior facilidade o significado simbólico que os mitos têm para a própria existência humana. Por meio delas, talvez se evidencie mais o significado que os mitos têm em termos psicológicos, que acabaram levando psiquiatras como Sigmund Freud e Carl Jung a analisar o significado dos mitos.
Vamos deixar de lado, porém, o significado ou os significados dos mitos. Tudo o que se disse até agora teve como exclusiva função apresentar o contexto que envolve os mitos apenas para podermos apresentar a você, leitor, os próprios mitos, ou melhor, pelo menos alguns deles.
A luta pelo poder
Réia, sua mulher, resolveu salvar seu último filho, escondendo-o do marido. Este filho, Zeus, cumpriu a profecia, destronou Cronos e retirou de seu estômago todos os irmãos que haviam sido devorados. Com eles, Zeus passou a reinar sobre o mundo, de seu palácio no topo do monte Olimpo. A corte de Zeus era formada por outros onze deuses, seus irmãos, sua esposa e seus filhos, como se vê no quadro que segue:
Os doze deuses olímpicos | ||
Nome grego | Nome latino | Características |
Zeus | Júpiter | Era o senhor do céu, o deus das nuvens e das chuvas, e tinha no raio a sua maior arma. No entanto, não era onipotente. Era possível opor-se a ele ou mesmo enganá-lo. |
Poseidon | Netuno | Irmão de Zeus, era o senhor do mares e ocupava o segundo lugar na hierarquia do Olimpo. |
Hera | Juno | Irmã e mulher de Zeus. Era a protetora dos casamentos. Muito ciumenta, vingava-se sempre dos constantes relacionamentos adúlteros do marido. |
Hades | Plutão | Dominava o mundo subterrâneo, onde habitavam os mortos: o Tártaro, onde eram punidos os vilões, o Elíseo, onde eram recompensados os heróis. |
Palas Atena | Minerva | Gerada da cabeça de Zeus, era sua filha favorita e a deusa da sabedoria. |
Apolo | Febo | Filho de Zeus e Leto, era identificado com o Sol e considerado o deus da música e da cura - artes que ensinou aos homens |
Ártemis | Diana | Irmã gêmea de Apolo, era a deusa da caça e da castidade. |
Afrodite | Vênus | Deusa do amor e da beleza, que a todos seduzia, fossem deuses ou simples mortais. |
Hermes | Mercúrio | Filho de Zeus e mensageiro dos deuses, dos quais era o mais esperto ou astuto. Por isso, protegia comerciantes e ladrões. |
Ares | Marte | Filho de Zeus e Hera, é o deus da Guerra, considerado, por Homero, "a maldição dos mortais". |
Hefesto | Vulcano | Deus do fogo, ferreiro e artesão, que fabricava os utensílios e as armas de deuses e heróis. |
Héstia | Vesta | Era o símbolo do lar e foi mais cultuada pelos romanos que pelos gregos. |
A Guerra do Vietnã: cicatrizes ainda não curadas
Os quase 2 milhões de vietnamitas mortos na guerra fizeram com que o Vietnã perdesse parte considerável de sua população jovem. A falta de mão-de-obra faria com que, logo após o término dos conflitos, o país entrasse numa grande estagnação econômica. Pelo Acordo de Paris, os Estados Unidos se obrigavam a prestar ajuda financeira ao país para sua reconstrução. No entanto, durante o governo de Ronald Reagan (1980-1988), Washington suspendeu a ajuda ao país comunista.
Seus aliados ideológicos, principalmente a China e a URSS, também foram deixando o Vietnã de lado ao longo da década de 1980. A mudança da orientação na política econômica do PC chinês na época de Deng Tsiao Ping, abrindo-se para os investimentos capitalistas externos, e a adoção da glasnost que levaria ao fim da URSS fizeram com que o apoio vindo do bloco comunista diminuísse consideravelmente. Desamparado de ambos os lados, o Vietnã entraria numa grave crise econômica e social. Milhares de pessoas tentaram fugir da crise se refugiando em países vizinhos, muitas vezes arriscando suas vidas cruzando o mar da China em pequenos barcos. Os grandes centros urbanos passariam a conviver cada vez mais com a marginalidade social.
Em 1986, a recuperação do país deu um passo decisivo quando o governo começou a implantar uma política econômica chamada de dói mói (renovação). Mesmo mantendo-se comunista, o governo abriu o mercado vietnamita para a entrada de inúmeras empresas privadas. Assim como na China, o Vietnã passou a ter uma economia de mercado com orientação socialista. Em 2000, o governo criou uma lei que permitia a criação de empresas com 100% de capital estrangeiro, atraindo, com isso, investimentos japoneses, chineses e também norte-americanos. Vale lembrar que em 1994 os EUA colocaram fim ao embargo econômico ao país, reatando, no ano seguinte, relações diplomáticas com Hanói.
Até mesmo a França, antiga colonizadora da região, voltou-se à região com a instalação de indústrias como a Danone e a France Telecom. Apenas em Ho Chi Minh, antiga Saigon, quase 200 empresas francesas se instalaram nos últimos anos.
Os grandes conglomerados estrangeiros foram atraídos por um extenso mercado consumidor (o país tem cerca de 76 milhões de habitantes) e grandes reservas naturais como o petróleo. Além disso, o país conta com uma quantidade considerável de mão-de-obra barata com bom nível de educação. A taxa de analfabetismo no Vietnã é de 12% da população adulta, um número relativamente satisfatório para um país em que a renda per capita é menor que US$ 400 anuais.
Com a abertura do mercado, a economia vietnamita passou a crescer consideravelmente e o país chegou a ser considerado como um novo Tigre Asiático, e especialistas acreditavam que o país vivia "milagre econômico" como os vizinhos Coréia do Sul, Malásia e Tailândia. Entretanto, os altos índices de crescimento econômico, que chegaram a 10% em meados da década de 1990, por causa da crise econômica internacional, haviam recuado para 4,8% em 1999. Outros problemas reclamados pelos investidores estrangeiros são o excesso de burocracia estatal, a corrupção e as restrições à abertura total da economia por parte do partido comunista.
Dessa forma, o Vietnã continua a ser caracterizado como um país agrícola. Graças a seus arrozais, o Vietnã é o segundo exportador de arroz no mundo, com mais de 4,5 milhões de toneladas. Porém, a guerra de 30 anos atrás ainda traz grandes problemas para a agricultura vietnamita.
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Apesar do crescimento econômico da década de 1990, o Vietnã ainda hoje é considerado um país agrícola |
As bombas químicas lançadas sobre as florestas do Vietnã do Sul deixaram boa parte dos seus rios contaminados pelo agente laranja, e as terras alagadiças nas quais se planta o arroz envenenadas pela guerra química. Para alguns especialistas, o Vietnã ainda terá de conviver com esse trauma por mais 50 anos.
Apesar das dificuldades econômicas e da pobreza, a população vietnamita continua confiando que o futuro do país será melhor do que seu passado recheado de guerras e conflitos. Numa recente pesquisa da entidade norte-americana Pew Research Center, que analisava o percentual de satisfação da população de diversos países em relação ao que pode acontecer nos próximos anos, o povo vietnamita foi considerado o mais otimista do continente asiático. Para 98% dos vietnamitas entrevistados, o futuro das novas gerações no país será mais positivo, índice que é um recorde mundial. Entre os vietnamitas, 69% se disseram satisfeitos com o país, e 51%, satisfeitos com o mundo. Para se ter uma idéia, o grau de satisfação do povo brasileiro divulgado pela pesquisa é bem inferior: 11% e 12% respectivamente.
AUTORIA: Por João Paulo M. Hidalgo Ferreira